Queijo pode reduzir o risco de demência? Estudo analisa a relação entre o alimento e a saúde cerebral
Pesquisa analisou hábitos alimentares e identificou uma associação entre o consumo de queijo e menor risco de declínio cognitivo, embora especialistas alertem para moderação e mais estudos.
2/6/20263 min read


Nos últimos anos, cientistas têm investigado como hábitos alimentares influenciam a saúde do cérebro, e um alimento inesperado entrou na conversa: o queijo. Pesquisas recentes sugerem que o consumo habitual de algumas variedades de queijo pode estar associado a um risco reduzido de demência, embora especialistas alertem que ainda não há comprovação de causa direta.
O que os estudos descobriram?
Uma das maiores análises sobre esse tema foi conduzida por pesquisadores na Suécia, envolvendo cerca de 27,670 adultos acompanhados por quase 25 anos. Os participantes, inicialmente livres de demência, foram monitorados ao longo das décadas, com seus padrões alimentares registrados no início do estudo.
Os resultados, publicados no periódico Neurology, mostraram que:
Pessoas que consumiam 50 gramas ou mais de queijo com alto teor de gordura por dia, isso equivale a cerca de duas fatias de queijo cheddar, apresentaram um risco cerca de 13% menor de desenvolver demência em comparação com quem comia menos de 15 gramas.
A redução foi ainda mais expressiva para casos de demência vascular (cerca de 29% menor risco) entre os que ingeriam mais queijo gordo.
O consumo diário de aproximadamente 20 gramas de creme com alto teor de gordura também esteve associado a um risco de demência cerca de 16% menor.
Importante: essas associações foram observadas apenas para produtos lácteos ricos em gordura; versões com baixo teor de gordura, leite e outros derivados não tiveram o mesmo padrão de relação.
Interpretação cautelosa: associação não é causa
Apesar dos números chamarem atenção, os autores e especialistas enfatizam que a pesquisa é observacional, ou seja, mostra correlação, e não prova que o queijo protege diretamente contra a demência.
Pesquisadores apontam que quem consumia mais queijo também tendia a ter outros hábitos e fatores de saúde associados a menor risco de demência, como níveis educacionais mais altos, menor prevalência de obesidade e menos doenças cardiovasculares. Isso sugere que o queijo pode ser um marcador dentro de estilos de vida mais saudáveis, e não necessariamente a causa da redução de risco. Além disso, estudos com outras populações, como uma coorte japonesa envolvendo mais de 7.900 idosos, encontraram associações modestas entre consumo de queijo e menor incidência de demência em três anos de acompanhamento, mas ressalvam que mais evidências são necessárias para confirmar essa relação.
Nutrição e saúde cerebral: contexto mais amplo
A relação entre dieta e função cognitiva é complexa. Pesquisas recentes indicam que um padrão alimentar equilibrado, como a dieta Mediterrânea ou a dieta MIND (focada em alimentos que favorecem o cérebro), está mais consistentemente associada à redução de risco de declínio cognitivo do que qualquer alimento isolado. Diversos nutrientes presentes em queijos, como vitamina B12, vitamina K2 e minerais, podem ser relevantes para o funcionamento neurológico, mas isso faz parte de um quadro nutricional amplo, que inclui frutas, legumes, peixes e grãos integrais.
Recomendações práticas
Especialistas concordam que:
Moderação é essencial: incluir queijo como parte de uma dieta equilibrada pode trazer variedade, mas não substitui hábitos saudáveis como atividade física, controle de peso e gestão de fatores cardiovasculares.
As evidências atuais não justificam recomendações diretas para aumentar o consumo de queijo gordo com o único objetivo de prevenir demência.
Futuros estudos clínicos e experimentais são necessários para entender melhor como diferentes tipos de alimentos influenciam a saúde cerebral ao longo do tempo.
Embora pesquisas recentes levantem hipóteses interessantes sobre uma possível associação entre o consumo de queijo com maior teor de gordura e menor risco de demência, a ciência ainda não confirma uma relação causal. A chave para proteger a saúde do cérebro continua sendo um estilo de vida equilibrado, envolvendo dieta nutritiva, exercício físico, sono de qualidade e gerenciamento de fatores de risco cardiovascular.
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