Novo anticoagulante mais seguro reduz em 26% o risco de um novo AVC

Estudo clínico indica que o medicamento diminui significativamente a chance de um segundo AVC, com menor risco de sangramentos em comparação aos anticoagulantes tradicionais.

2/7/20262 min read

Pesquisadores internacionais anunciaram um avanço promissor na prevenção de recorrência de acidente vascular cerebral (AVC): um novo anticoagulante experimental reduziu em cerca de 26% o risco de um novo evento sem elevar os casos de sangramento grave, um efeito colateral frequente em antitrombóticos tradicionais.

O que mostra o estudo OCEANIC-STROKE

A descoberta vem da fase 3 do ensaio clínico OCEANIC-STROKE (NCT05686070), apresentado na International Stroke Conference 2026, evento de destaque realizado nos Estados Unidos por especialistas de neurologia vascular e prevenção de AVC.

O estudo avaliou o anticoagulante asundexian, uma medicação oral de uso diário que age inibindo o fator XIa, uma proteína do sistema de coagulação. Ao ser adicionada à terapia padrão com antitrombóticos (como aspirina), a droga demonstrou:

  • redução de 26% no risco de um novo AVC isquêmico (causado por coágulos);

  • diminuição na chance de AVC incapacitante;

  • sem aumento significativo de sangramentos graves ou efeitos adversos maiores quando comparada ao placebo.

Por que isso é relevante?

O risco de ter outro AVC após um episódio inicial é alto. Dados de organizações de saúde indicam que cerca de 1 em cada 4 sobreviventes pode sofrer um novo AVC nos anos seguintes. Tradicionalmente, antitrombóticos como varfarina ou inibidores diretos do fator Xa (como rivaroxabana e apixabana) são usados para reduzir esse risco. Porém, eles podem aumentar a probabilidade de sangramento significativo, o que limita seu uso em algumas populações.

A abordagem com o novo anticoagulante pode estabelecer uma alternativa mais segura ao combinar eficácia na prevenção com um perfil de segurança favorável, uma combinação ainda rara entre terapias antitrombóticas.

Como foi o estudo?

O OCEANIC-STROKE envolveu mais de 12.300 participantes de 37 países, todos com histórico de AVC isquêmico não-cardioembólico ou ataque isquêmico transitório (AIT). Ou seja, pessoas que tiveram AVCs por bloqueios nos vasos cerebrais, não por arritmias cardíacas. Os pacientes foram randomizados para receber, além de aspirina ou outra terapia antitrombótica padrão, asundexian ou placebo.

O acompanhamento variou de 3 a 31 meses, e os benefícios do tratamento emergiram mesmo após controle rigoroso por idade, sexo e subtipos de AVC. Segundo o neurologista Mike Sharma, principal autor do estudo, o asundexian “…pode reduzir a probabilidade de novo AVC sem aumentar o risco de sangramento, o que representa um avanço importante na prevenção secundária da doença”. Esse perfil de efeito é especialmente relevante para pacientes que não toleram bem anticoagulantes tradicionais ou correm um risco elevado de hemorragias.

Apesar dos resultados promissores, o medicamento ainda não recebeu aprovação regulatória. Agências como a Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil vão revisar os dados antes de permitir seu uso clínico generalizado. A expectativa da comunidade científica é que, se aprovado, o asundexian amplie as opções terapêuticas para milhões de pacientes que já sofreram um AVC e estão em risco de um novo episódio.