Infarto em mulheres: por que a doença pode ser mais grave e passar despercebida

Diferenças nos sintomas, fatores hormonais e sinais atípicos fazem com que o infarto em mulheres seja mais difícil de identificar e potencialmente mais perigoso.

1/29/20262 min read

Nos últimos anos, pesquisas médicas têm mostrado uma tendência preocupante: o número de infartos entre mulheres, inclusive mais jovens, está aumentando, e muitos desses episódios não seguem o padrão clássico de sintomas que a maioria de nós conhece. Isso pode dificultar o reconhecimento precoce e aumentar a gravidade dos quadros.

Uma mudança no retrato do infarto

Tradicionalmente, o infarto agudo do miocárdio foi visto como uma condição que afeta principalmente homens mais velhos. No entanto, estudos recentes revelam que mulheres entre 35 e 54 anos têm uma incidência crescente de ataques cardíacos, mesmo quando comparadas com homens da mesma faixa etária. Pesquisas que analisaram dezenas de milhares de hospitalizações indicam que, embora o número geral de infartos tenha caído em grupos mais velhos, ele aumentou entre mulheres jovens, invertendo parte do padrão esperado.

Sinais diferentes podem confundir pacientes e médicos

Uma das explicações para essa tendência é que os sintomas em mulheres frequentemente não incluem a dor torácica forte e típica, caracteristicamente associada a infarto. Em vez disso, muitas mulheres relatam sinais mais sutis como:

  • Fadiga intensa ou repentina

  • Falta de ar sem causa clara

  • Náusea ou desconforto estomacal

  • Dor nas costas, pescoço ou mandíbula

  • Tontura ou mal-estar inexplicável

Esses sintomas podem ser facilmente confundidos com indigestão, estresse ou exaustão, levando muitas mulheres a adiar a busca por atendimento médico, o que agrava o quadro clínico.

Causas não tradicionais e desafios no diagnóstico

Além da apresentação atípica, outro desafio identificado por pesquisas é que muitos infartos em mulheres não são causados pela obstrução clássica das artérias coronárias, o mecanismo tradicional associado a ataques cardíacos. Um estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology, analisado pela Mayo Clinic, aponta que mais da metade dos infartos em mulheres com menos de 65 anos tem causas “não tradicionais”, como:

  • Dissecção coronariana espontânea (SCAD) – ruptura súbita da parede arterial, mais comum em mulheres jovens e ativas;

  • Embolias e outros distúrbios de coagulação;

  • Infartos tipo 2, desencadeados por estresse sistêmico como anemia ou infecções.

Essas formas menos comuns de infarto tendem a ser misdiagnosticadas ou tratadas de forma inadequada, o que pode prejudicar a recuperação e elevar o risco de complicações.

Por que reconhecer os sinais faz toda a diferença?

Segundo especialistas, o atraso no diagnóstico, seja por parte das pacientes ou por profissionais de saúde, contribui para resultados clínicos piores em mulheres, incluindo maiores taxas de mortalidade e sequelas. Isso não significa apenas um problema individual, mas um desafio de saúde pública que exige maior consciência e preparo médico. Dados de organizações cardiológicas também mostram que muitas mulheres acabam recebendo menos terapias preventivas ou tratamentos padrão para doença cardiovascular em comparação com homens, especialmente em estágios iniciais.

Como se proteger e agir

Os pesquisadores ressaltam que reconhecer os próprios sinais e buscar ajuda médica imediatamente pode salvar vidas. Mesmo que os sintomas não incluam dor intensa no peito, qualquer sinal atípico persistente deve ser avaliado por um profissional de saúde. Além disso, medidas preventivas, como controle da pressão arterial, alimentação saudável, atividade física regular e monitoramento de condições como diabetes, continuam sendo fundamentais para reduzir o risco de infarto em qualquer idade.