Calvície é herdada da mãe? Entenda as verdadeiras causas da queda de cabelo

Descubra se a calvície realmente é herdada apenas da mãe, como funciona a genética da queda de cabelo e quais fatores hormonais, hereditários e ambientais influenciam o surgimento da alopecia androgenética.

2/17/20262 min read

A ideia de que a calvície é herdada apenas da mãe atravessou gerações e ainda circula com força. Mas a ciência já mostrou que a história é mais complexa. A alopecia androgenética, nome médico da calvície mais comum, envolve uma combinação de genética, hormônios e fatores individuais, e não depende exclusivamente da linhagem materna.

A genética da calvície vai além do cromossomo X

É verdade que um dos genes mais estudados na calvície está localizado no cromossomo X, herdado da mãe. Pesquisas publicadas na revista científica Nature Communications identificaram variantes no gene do receptor de andrógeno (AR) associadas ao maior risco de alopecia androgenética.

No entanto, um amplo estudo genético conduzido pela University of Edinburgh e divulgado em 2017 analisou dados de mais de 52 mil homens e identificou mais de 250 regiões genéticas relacionadas à calvície, espalhadas por diferentes cromossomos, inclusive herdados do pai. O trabalho foi publicado na PLOS Genetics.

O papel dos hormônios na queda de cabelo

A genética, sozinha, não explica tudo. A queda de cabelo característica da alopecia androgenética está diretamente ligada à ação de um hormônio chamado DHT (di-hidrotestosterona). O DHT é derivado da testosterona e atua nos folículos capilares predispostos geneticamente, levando ao processo chamado miniaturização folicular. Isso significa que:

  • Os fios passam a crescer mais finos

  • O ciclo de crescimento diminui

  • O cabelo cai com mais facilidade

  • O couro cabeludo começa a ficar mais visível

Segundo a American Academy of Dermatology (AAD), a alopecia androgenética é a causa mais comum de perda capilar tanto em homens quanto em mulheres.

Calvície masculina e feminina: existem diferenças?

Embora o mecanismo hormonal seja semelhante, a manifestação costuma variar:

  • Homens: entradas, afinamento no topo da cabeça e possível evolução para áreas extensas sem cabelo.

  • Mulheres: rarefação difusa, principalmente na região central do couro cabeludo, raramente evoluindo para áreas totalmente calvas.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) destaca que a alopecia androgenética pode começar ainda na juventude, mas tende a se tornar mais perceptível após os 30 anos. Além da genética e dos hormônios, outros elementos podem agravar ou acelerar o processo:

  • Estresse crônico

  • Doenças da tireoide

  • Deficiências nutricionais

  • Uso de certos medicamentos

  • Inflamações no couro cabeludo

É importante diferenciar a calvície genética de quedas temporárias, como o eflúvio telógeno, que pode ocorrer após períodos de estresse intenso ou doenças. Se há histórico de calvície no pai, na mãe, nos avós ou em outros parentes próximos, o risco pode ser maior. Mas não existe uma regra absoluta. A presença dos genes não garante que a pessoa desenvolverá calvície severa, apenas indica predisposição. A ciência já é clara ao afirmar que a queda de cabelo do tipo androgenética resulta de uma interação complexa entre:

  • Múltiplos genes

  • Sensibilidade hormonal individual

  • Fatores ambientais


Ao perceber afinamento progressivo dos fios, o ideal é procurar avaliação médica com dermatologista. O diagnóstico correto é essencial para definir o tratamento, que pode incluir:

  • Medicamentos tópicos ou orais

  • Terapias hormonais específicas

  • Procedimentos como microagulhamento

  • Transplante capilar em casos indicados

A crença popular de que a calvície é herdada apenas da mãe não se sustenta diante das evidências científicas atuais. Estudos genéticos mostram que a predisposição envolve múltiplos genes, herdados tanto do pai quanto da mãe, além da influência decisiva dos hormônios. Em outras palavras: a calvície não tem um único “culpado”. Ela é resultado de uma combinação complexa de fatores biológicos.