Brasil cria medicamento inovador à base da planta quebra-pedra para o SUS
Pesquisa nacional desenvolve remédio a partir da planta quebra-pedra, com foco no tratamento de cálculos renais e possível distribuição pelo Sistema Único de Saúde.
2/5/20262 min read


O Brasil está próximo de lançar um medicamento fitoterápico inovador baseado na planta Phyllanthus niruri, popularmente conhecida como quebra-pedra, com a intenção de integrá-lo ao Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa marca um passo importante na junção entre tradição popular e pesquisa científica moderna.
O que torna o projeto histórico?
Embora a quebra-pedra seja usada há décadas em chás caseiros para problemas urinários, o que muda agora é a transformação desse conhecimento tradicional em um produto padronizado dentro dos parâmetros farmacêuticos. Isso significa que a planta deixará de ser usada apenas de forma empírica e será processada com rigor científico, com controle de qualidade, eficácia e segurança.
O projeto é considerado pioneiro no Brasil porque respeita a legislação de uso de conhecimento tradicional associado, isto é, envolve comunidades indígenas, povos tradicionais e agricultores familiares na cadeia de desenvolvimento.
Parcerias que viabilizam o fitoterápico
O caminho até o SUS envolve cooperação entre diferentes entidades:
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que apoia e financia parte do projeto;
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), especialmente por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), responsável pela pesquisa e formulação;
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que coordena ações de bioeconomia e sustentabilidade.
Essas parcerias somam um investimento estimado em R$ 2,4 milhões, destinados à aquisição de equipamentos, adequação de laboratórios, estudos laboratoriais e produção dos primeiros lotes piloto.
Pesquisa e avanços técnicos
Segundo pesquisadores envolvidos, o novo fitoterápico foi desenvolvido para atacar diferentes fases da formação de cálculos urinários (litíase), algo que não existe atualmente em outros medicamentos no mercado. Esse diferencial está sendo considerado um avanço terapêutico para tratamentos de saúde pública. Após a produção dos lotes iniciais, a equipe realizará estudos de estabilidade essenciais para a submissão do produto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O processo completo inclui registro, validação de segurança e eficácia, e só então a produção em escala para distribuição pelo SUS.
Saberes tradicionais sob a lente da ciência
A quebra-pedra é uma planta conhecida pela medicina popular e estudada em diferentes contextos científicos. Pesquisas anteriores apontam que compostos bioativos da espécie podem ter efeitos benéficos no trato urinário, ajudando na prevenção e redução de cálculos renais. Estudos laboratoriais publicados em revistas como Planta Medica demonstraram ainda que moléculas isoladas da planta têm atividade contra protozoários causadores da leishmaniose cutânea e da doença de Chagas, além de mostrar potencial atividade antibacteriana e antioxidante.
Impacto na saúde pública e sustentabilidade
Transformar uma planta popular em medicamento regulado tem múltiplos efeitos positivos:
Amplia opções terapêuticas no SUS, fortalecendo práticas integrativas de saúde;
Valoriza o conhecimento tradicional associado, garantindo participação e benefício às comunidades detentoras desse saber;
Estimula a cadeia produtiva nacional, promovendo pesquisa científica, bioeconomia e uso sustentável da biodiversidade.
Com isso, o Brasil pode abrir caminho para novos fitoterápicos baseados em espécies da flora brasileira, reforçando a política nacional de plantas medicinais e incentivando modelos de inovação que articulam saber ancestral e tecnologia moderna.
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