Azeite e pimenta-do-reino: entenda como eles aumentam a absorção de nutrientes

Estudos indicam que a combinação de azeite e pimenta-do-reino pode facilitar a absorção de vitaminas e compostos bioativos presentes nos alimentos.

1/31/20262 min read

Adicionar ingredientes simples como azeite de oliva e pimenta-do-reino às refeições pode parecer apenas uma questão de sabor, mas pesquisas sugerem que essa combinação faz diferença também na forma como o corpo absorve vitaminas, minerais e compostos benéficos dos alimentos.

Por que alguns nutrientes “escapam” do corpo?

Mesmo quando comemos alimentos ricos em nutrientes, nem tudo o que está no prato vai parar nas células do corpo. Isso acontece porque muitos compostos, como carotenoides (presentes em cenoura, espinafre e outros vegetais coloridos), são solúveis em gordura, ou seja: sem gorduras na refeição, eles se misturam mal com os líquidos do intestino e tendem a ser eliminados sem ser absorvidos.

Pesquisadores em nutrição demonstraram que esse processo depende muito da forma como os alimentos são combinados no prato. Experimentos verificaram que, quando verduras são consumidas sem nenhuma gordura, apenas uma pequena fração dos carotenoides consegue chegar à corrente sanguínea.

Azeite de oliva é o “carrinho” que transporta nutrientes

O azeite cumpre uma função fundamental nesse cenário. Sua gordura consegue envolver vitaminas e antioxidantes em minúsculas estruturas chamadas “micelas”, que facilitam o transporte dos nutrientes através da parede intestinal. Esse mecanismo explica por que estudos laboratoriais mostram que refeições temperadas com azeite de oliva têm absorção significativamente maior de vitaminas lipossolúveis, aquelas que dependem de gordura para serem assimiladas, como as vitaminas A, D, E e K.

Além disso, pesquisadores como David Julian McClements, especialista em ciência dos alimentos, destacam uma vantagem tecnológica: em testes de biodisponibilidade, nanopartículas formadas com azeite foram mais eficazes em aumentar a absorção de carotenoides do que as feitas com óleo de coco, que forma gotículas pequenas demais para transportar essas moléculas maiores.

Pimenta-do-reino: mais que tempero, um facilitador bioquímico

A pimenta-do-reino, por sua vez, contém um composto chamado piperina, conhecido por sua capacidade de modular a absorção de substâncias no intestino. Estudos sugerem que a piperina pode inibir mecanismos celulares que expulsam nutrientes de volta para o trato digestivo, o que permite que mais moléculas permaneçam no caminho para serem absorvidas pelo sangue. A piperina também já foi mostrada em estudos clínicos como um potenciador da absorção de curcumina, o componente ativo da cúrcuma, aumentando sua presença no sangue em comparação com a curcumina isolada.

Sabedoria moderna e tradições antigas

Curiosamente, essa interação não é totalmente nova. Em muitas tradições culinárias antigas, especiarias como pimenta e gorduras (incluindo leite ou óleos) eram combinadas para melhorar não só o sabor, mas também a digestibilidade e absorção dos alimentos, muito antes de a ciência moderna entender os processos laboratoriais por trás disso.

Incorporar azeite de oliva e uma pitada de pimenta-do-reino em saladas, legumes e outras preparações pode maximizar o aproveitamento de vitaminas e antioxidantes que já estão nos alimentos. Ainda assim, especialistas reforçam que essa estratégia não substitui uma dieta equilibrada com variedade de frutas, verduras, proteínas magras e grãos integrais. O objetivo é usar esses temperos e gorduras saudáveis como aliados para potencializar o valor nutricional das refeições, e não como solução única para déficits nutricionais.