Açúcar com menos calorias e menor impacto na glicemia é testado por cientistas

Pesquisadores avaliam uma nova alternativa ao açúcar tradicional que promete reduzir picos de glicose no sangue e ajudar no controle do consumo calórico, com possíveis benefícios para a saúde metabólica.

1/21/20262 min read

Pesquisadores anunciaram um avanço na produção de um tipo raro de açúcar que mantém o sabor doce do açúcar tradicional, mas apresenta menos calorias e menores elevações de glicose no sangue, o que pode interessar especialmente a pessoas com diabetes ou que buscam alternativas mais saudáveis ao açúcar convencional.

Uma solução doce com menos efeitos negativos

O foco das investigações é a D-tagatose, um açúcar natural que ocorre em quantidades muito pequenas em alimentos como laticínios e frutas, mas que tem doçura semelhante ao açúcar de mesa e cerca de 60% menos calorias.

Enquanto o açúcar comum (sacarose) é rapidamente absorvido e pode provocar picos de glicose e insulina, a tagatose é absorvida de forma mais lenta e, em grande parte, fermentada pelas bactérias intestinais. Isso resulta em menor impacto sobre os níveis de açúcar no sangue, uma vantagem importante em termos nutricionais.

Produção mais eficiente com biotecnologia

Até agora, a produção comercial de tagatose era limitada por métodos caros e pouco eficientes. Um estudo recente publicado na revista Cell Reports Physical Science descreve um processo inovador que usa bactérias geneticamente modificadas como “fábricas” para transformar glicose — o açúcar mais difundido na indústria alimentícia — diretamente em tagatose com rendimento muito mais alto do que as técnicas anteriores.

Esse avanço pode abrir caminho para tornar a tagatose mais acessível em larga escala e reduzir os custos de produção, aproximando-a da realidade do mercado de adoçantes naturais.

Benefícios além das calorias

Além do perfil calórico reduzido e do impacto suave sobre a glicose, estudos científicos apontam que a tagatose apresenta propriedades funcionais que podem favorecer a saúde oral e metabólica:

  • Prebiótica e antioxidante: contribui para um ambiente intestinal mais saudável e reduz o estresse oxidativo celular.

  • Resposta glicêmica reduzida: causa menos elevação de glicose e insulina em comparação ao açúcar comum, o que a torna uma alternativa interessante para pessoas com diabetes ou resistência à insulina.

  • Potencial antibacteriano bucal: estudos mostraram que a tagatose pode inibir a formação de biofilmes e crescimento de bactérias que causam cáries, como Streptococcus mutans.

Essas qualidades foram observadas em pesquisas revisadas por pares e reforçam que a tagatose pode oferecer mais do que apenas menos calorias — ela pode atuar como um ingrediente funcional em alimentos e produtos de higiene bucal.

O que isso significa para consumidores e indústria?

Especialistas veem a tagatose como uma alternativa promissora ao açúcar tradicional e aos adoçantes artificiais, por combinar sabor próximo do original com um perfil metabólico mais benéfico.

No entanto, apesar dos avanços na produção e dos dados iniciais promissores, ainda há necessidade de mais estudos clínicos de longo prazo para confirmar plenamente os efeitos metabólicos e os potenciais impactos na saúde humana em maior escala.